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O ALUNO COM SD é "CAFÉ-COM-LEITE"?

Josiane Mayr Bibas
Maria Izabel Valente
AprendizDown

Lembra daquele menino que era desajeitado, mas insistia em jogar futebol?
O professor colocava o garoto em um time e lá ficava ele, correndo e
esperando que alguém lhe passasse a bola. E ninguém passava. Ele estava
no jogo, mas não estava jogando. Ele era "café-com-leite".

Ser "café-com-leite" tem muitos efeitos sobre a criança ou jovem. O
primeiro é a percepção da condescendência e baixa expectativa: "apesar de
saber que você não é capaz, eu deixo você participar", o que traz como
conseqüências imediatas a baixa auto-estima e a desmotivação. O mesmo
pode acontecer com o aluno com alguma deficiência em classe regular, quando
seu professor o vê como uma criança que está ali, mas não conseguirá
aprender.
Este educador adota esta postura geralmente com a intenção de proteger ou
evitar frustrações para seu aluno por estar mais focado em suas
dificuldades que em suas competências. Mas a criança que percebe que está
sendo tratada de maneira desproporcional a sua capacidade, esta sim se
frustra, se entristece, se desinteressa. Ela estará no jogo, mas não
estará jogando.
Para que o aluno com SD deixe de ser ou não se torne um aluno
"café-com-leite", para que ele seja um aluno que, além de estar na
escola, participa e aprende, há que se refletir sobre um conceito básico:
compromisso. Um compromisso que deve partir da escola, da família e do
próprio aluno. Se qualquer um destes elementos encarar a aprendizagem de
forma leviana e indiferente, não há como se alcançar sucesso. Chega de
procurar culpas e desculpas para as dificuldades de aprendizagem de
crianças com SD. A família culpa a escola, a escola culpa o professor, o
professor culpa a família e todos têm como desculpa a SD, e desperdiçam
tempo, energia e afeto que poderiam investir na aprendizagem da criança,
baseados em suas possibilidades.

Muitas vezes, as famílias depositam na escola e nos terapeutas a função
de ensinar, de impor regras sociais e valores, quando deveriam participar
efetivamente tanto na construção realista das expectativas, quanto na
construção da aprendizagem de seu filho. Mostrar à criança o quanto
aprender é importante, valorizar as aquisições e dar funcionalidade aos
conteúdos trabalhados na escola, demonstra a ela que sua aprendizagem
está sendo encarada (e aguardada) de forma séria e coerente.

Algumas atitudes dos familiares, muitas vezes inconscientes, camuflam a
postura "café-com-leite": supervalorizar o fato de que a escola "aceitou"
seu filho, deixar que falte por motivos pouco importantes, fazer a
tarefa por ele, não exigir dele o que exigiria se não tivesse a SD (se esforçar,
arrumar seu próprio material, respeitar horários da escola, tirar boas
notas, etc.). Ninguém coloca um filho na escola sem esperar e cobrar que
ele aprenda. Porque deveria acontecer assim com crianças com SD? A
criança é a primeira a captar esta postura condescendente, e fazer uso dela em
benefício próprio.
A criança é fruto do meio em que vive, dos estímulos que lhe são
oferecidos, dos modelos que recebe, e vai dar respostas correspondentes
ao que se espera dela.
Se a criança vive submetida a baixas expectativas, sendo sempre tratada
como criança ou aprendiz incapaz, ela vai continuar sendo criança ou
aprendiz incapaz, vai se desenvolver pouco emocional e intelectualmente.

O interesse do aluno em aprender é fundamental e muitas vezes subestimado.
Pais e professores constroem esta motivação que leva o filho ou aluno a
querer aprender através do modelo, da relação de confiança, passando pela
auto-percepção e pela auto-estima, levando a criança a conhecer e assumir
seu lugar em casa, na escola e na vida. É preciso que a criança ou o
jovem estejam comprometidos com sua própria aprendizagem, pois para aprender é
preciso querer, de nada vale ser o depositário de informações não
desejadas e não utilizadas. O aluno com SD precisa (ou melhor, todos os alunos
precisam) saber por que é importante aprender, onde se pretende chegar
com tantas aulas, atividades, tarefas, conteúdos e provas. Um sentido
para sua aprendizagem é algo que todo e qualquer aluno deveria ter.

Cada criança tenha ela SD ou não, é um indivíduo com suas forças e
fraquezas, seu próprio potencial, seu índice de desenvolvimento. Quando
ela passa a viver exclusivamente em função do que esperam dela ou da imagem
que construíram para ela, se destitui de sua identidade própria e suas
chances de sucesso, auto-realização e felicidade se tornam menores. É preciso
deixar que a criança suporte e vivencie seus próprios riscos tanto de
acerto quanto de erro, para que encontre o equilíbrio necessário para
seguir adiante baseada na auto-construção, no próprio conhecimento.
Acreditar no que lhe é possível e real, movimenta esquemas cerebrais que
fazem com que as coisas aconteçam porque envolve o indivíduo
emocionalmente na situação, o faz crescer e ir em busca dos resultados, superando seus obstáculos e limitações.
A escola tem papel fundamental na formação de um indivíduo autônomo,
tenha SD ou não. Juntamente com a família daquele aluno, a escola estará
formando um cidadão com direitos e deveres. E, como tal, como um aluno que tem o
direito da aprender, mas que também tem o dever de se empenhar para
isso, é que o aluno com SD deve ser encarado. Os princípios da pedagogia atual
dizem que todas as pessoas podem ser inteligentes, porque a inteligência
não é inata, mas se constrói. Conhecemos hoje também o conceito de
inteligências múltiplas, que demonstra que cada um tem seu canal de
acesso e de expressão de habilidades. Ou seja, todos aprendem. A inteligência é
ativa, móvel, modificável pela ação externa, e não determinada apenas por
fatores orgânicos, genéticos ou hereditários. Pessoas com SD, mesmo
apresentando algum tipo de atraso cognitivo, desenvolvem suas
inteligências, quando devidamente mediados por educadores, familiares e
terapeutas. E é nisso que o professor de vê investir: em acreditar nas
capacidades do aluno em aprender e em suas capacidades como professor, de
fazer parte desse processo, da construção desse caminho de aprendizagem.

Leia este texto na íntegra no site http://www.reviverdown.org.br/pagina_aprendiz_alunocafe.htm




12/03/2012 Publicada por Mamae

  
25/05/2012 02:14
sergio

Eu to assistindo os jogos de futebol através do site www.tvhd.com.br

sergiodenobrega@hotmail.com


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